terça-feira, 10 de junho de 2008

A Formiga no Açucareiro

Tema: Insetos.
Fotografia: Formiga em um açucareiro.
Sentido Implícito: Auto-retrato do fotógrafo em questão, eu.

Estranha semelhança notei entre mim e essa formiga, assim que bati a foto acima para uma aula de Fotojornalismo.
Senti uma afeição tão grande pelo pobre animalzinho (que nem deve ter suspeitado de que era observado) que nem me atrevi a espantá-lo do meu açucareiro.
"Por quê? Te sentes pequeno como um inseto?", perguntar-me-ão os óbvios. Não é isso! Não me refiro à sensação de pequenez em relação ao mundo que me cerca, pois essa sensação é tão natural ao humano que não há necessidade que se gaste linhas e mais linhas com ela.
"Então sentes que carrega mais peso do que podes carregar?". Não! Não tenho do que reclamar, nesse sentido. O peso que carrego é ínfimo perto de outros que me cercam, então não é justo ocupar o meu tempo, e o de quem tiver paciência pra ler, falando sobre a louça suja ou a casa por varrer.
"Então onde está a semelhança?", indagarão, irritados.
A semelhança? Ah, ela está no fato de que, aparentemente, a formiga faz seu trabalho com satisfação. Ela sai para "desbravar" uma cozinha (suja), percorre um longo percurso e se depara com um pote de açucar. Se tivesse sentimentos (e quem me garante que não os tem?), essa formiga estaria no mínimo alegre! Encontrar em suas obrigações o que dá sentido a sua vida. Misturar deveres com paixões. Assim me sinto, nesse instante!
(...)
"Entrei na Facos, que Alegria..."
Após entrar na Universidade, deixei a Alegria fazer parte do meu cotidiano. Ela já tem as chaves do meu apartamento e não escolhe o "horário mais apropriado" pra chegar! Pode ser de manhã, tarde, noite ou até mesmo de madrugada. Ah, a Alegria é boêmia!
Às vezes o Tédio vem me visitar, entre as quatro paredes frias dessa sala. Fica pouco tempo, porém, pois se sente desconfortável e desnecessário.
A Solidão? Ah! Essa costumava dividir apartamento comigo, meses atrás! Ocupava com suas reflexões as noites de uma época já remota. Agora quando me visita, ela faz questão de aparecer com uma face nova, não mais tão exteriorizada. É uma solidão particular, que esbarra comigo em qualquer esquina, em qualquer lugar, embora eu esteja acompanhado, e não se demora por medo de ser notada!
Essas mudanças devo a um grupo de amigos que tem feito de cada dia meu uma experiência única, e não mais "apenas um dia como outro qualquer". Chega de experiências em escala industrial!
Ah, esses amigos, o "Açucar do meu Açucareiro", que encontrei num lugar onde prazeres e deveres se misturam... Ah, esses amigos que estão cada vez em maior número e, contraditoriamente, em maior profundidade também!
Estranha amizade, essa que criou laços mais fortes que os sanguíneos, que me diverte e que me faz pensar. Hoje sou a formiga no açucareiro!
(...)
-Ah, formiguinha que nem deve ter consciência de sua própria existência, aproveite o máximo o seu açucar, te empresto o meu açucareiro para isso! Eu estarei aqui, tentando aproveitar ao máximo os meus amigos, sem esquecer, como tu fazes, dos meus deveres... E se um dia eu acordar reclamando de tudo, me perdoe, pois é porque carrego comigo todas as imbecilidades características à minha espécie!


(Texto especialmente dedicado a Caren, Liana, Ananda, Bibs, Benaduce, João e Gian!)

4 comentários:

Acervo Café Frio disse...

a cada dia também me sinto melhor...é bom que essa amizade esteja só crescendo, ultrapassano até algunas laços sanguínos....
[...]"Meu melhor amigo
Vamos juntos tomar um traçado
Vamos voltar mas
O tempo não pára
E volta, e vem
E nos leva pra casa"...
aproveitemos,todos os dias nossa amizade....grande abraço e obrigado pela dedicatória...

Cáos disse...

Fêêlipao, apesar de ninguém me querer, me sinto querida!(haha)
A última frase tá muiiiiiiiito boa.
Na verdade, o texto todo tá ótimo.
E cara, juro que não esperava encontrar tana sintonia assim.
Nossos dias estão sendo realmente alegres e tal e coisa!

Beijão!

Liana disse...

que continue esse nosso incessante aumento de profunda sintonia..

seremos sempre formiguinhas no açucareiro até que este seja vedado.. e, se um dia isso acontecer, já começo a pensar que nossa força de laços conjunta arranjará um jeito de usar seus dotes de infiltração..
não importa como, tornará e retornará a sentir a doçura na qual encontrou fonte de alimento.


lindo o texto!!
beijo beijo

Acervo Café Frio disse...

Está na hora de um texto novo, não precisa nem ser pra mim!